Patrícia Couto é estudante do Mestrado em Ciências da Comunicação, da Universidade do Porto, e encontra-se de momento a realizar um trabalho de investigação sobre o Twitter. Esta foi a entrevista que me realizou:
- Na sua opinião, de que modo é que o Twitter está a influenciar o jornalismo?
A principal grande mudança que o twitter está a trazer ao jornalismo não se centra na forma de divulgar as noticias mas sim no aumento da interactividade que a plataforma veio trazer. Ou seja, o receber as noticias via twitter não é mais que simplesmente utilizar a tecnologia de RSS aqui adaptada para estar presente na plataforma. A grande mudança está na abertura que os jornalistas começam a dar aos leitores que são simultaneamente quem os segue.
Tal como por exemplo a plataforma second life, também no twitter a comunicação entre os membros da rede é mais informal fruto de um paralelo de acesso à ferramenta. Essa informalidade fez com que a comunicação com os jornalistas fosse mais acessível, mais instantânea e que em muitos dos casos existisse mesmo. A simplicidade e a rapidez de interacção e resposta que a plataforma permite é chave nesta abertura. A par disto os jornalistas perceberam, e acrescento aqui um finalmente, as vantagens de uma maior interacção com os leitores (aqui usados genericamente uma vez que me refiro também a ouvintes e telespectadores).
Programas como o “à noite as notícias” da RTPN são exemplos de como esta abertura pode funcionar com proveito para ambos os lados. É comum actualmente ver pedidos de sugestões para perguntas para entrevistas e trabalhos jornalísticos bem como o uso do twitter em modo “live” para a colocação de perguntas como é o caso do programa “5 para a meia noite” da RTP2.
- Acha que o Twitter pode ser considerado como um complemento do jornalismo?
Não. O twitter é uma plataforma de comunicação, um meio. É uma forma de acesso de interacção e de troca de informação. É sem dúvida útil para jornalistas e para jornais. Poderá mesmo ser o lead das notícias, um meio para contactar as fontes e mesmo uma boa fonte de informação. Não será um complemento mas mais uma ferramenta que bem usada poderá ser muito proveitosa.
- Quais as potencialidades do Twitter no âmbito do jornalismo?
São muitas, algumas ainda nem será possível prevê-las e muitas delas ainda não estão a ser exploradas. Uma lista talvez possa ajudar a perceber melhor:
• Fonte de informação
• Meio de contacto
• Meio de divulgação
• Feedback
• Interacção e cooperação
- Poderão tecnologias como o Twitter contribuir para um progressivo desgaste do jornalismo de investigação, ou será exagero pensar de tal forma?
Os 140 caracteres do twitter muitas vezes são apontados como redutores ou mesmo castradores de contribuições mais elaboradas e alargadas. No entanto o sucesso de utilização que a plataforma ganhou deve-se acima de tudo aos 140 caracteres isto porque a velocidade que permitem estão na base do sucesso do micro-blogging. Isto é sintomático da velocidade a que as pessoas querem consumir informação. Rápida, instantânea, imediata, simples e directa. Mas não obstante todas estas características quando um assunto é relevante é necessário dar mais informação. Os 140 caracteres podem ser expandidos para milhares de milhões de caracteres, para horas de vídeo ou áudio, ect… Os links dão essa possibilidade e talvez agora se comece a perceber que efectivamente o meio na Web é link e que é o hipermédia que faz a linguagem digital.
Como é que isto poderá interagir com o jornalismo de investigação? Se por um lado a rapidez da Web e do consumo de informação se fazem no imediato é na Web também que o jornalismo encontra todo o tempo e todo o espaço que o leitor (mais uma vez usado de modo genérico) quiser despender à informação.
O twitter não deverá influenciar o jornalismo de investigação mas sim ser mais uma ferramenta para o desenvolver. O que muda é a forma de aceder à informação e às fontes, o que muda é a proximidade e a resposta…
- Como prevê o futuro do jornalismo face à actual proliferação dos meios digitais?
Fazer previsões quando se falar em Web e em meios digitais nunca deu grande resultados. No entanto creio que estamos a caminhar para um modelo de webjornalismo ou de jornalismo digital que há muito eu e outros investigadores defendemos. As tecnologias e as plataformas estão a ser criadas, e sobretudos os consumidores de informação estão a ganhar capacidade de leitura não linear e multimédia. Os links passarão a fazer parte da informação como elementos informativos e não decorativos, as formas de comunicação entre jornalistas e leitores serão instantâneas e encurtadas, a informação circulará de forma viral sendo os leitores a definir o que é mais ou menos importante. As plataformas móveis serão os principais pontos de acesso e a informação não estará presa a um lugar ou a uma plataforma mas circulará entre as várias plataformas e dispositivos. Imprensa, rádio e televisão continuarão a existir.
Mas para chegarmos a este panorama ainda há um longo caminho pela frente para empresas de informação, jornalistas e sobretudo para os leitores.
Comentários
No comments para “ENTREVISTA – INFLUÊNCIAS DO TWITTER NO JORNALISMO”
Deixe um comentário