O que é ser jornalista? Quais os desafios que esperam os futuros profissionais? Quais as caracteristicas que um jornalista deve ter? O lado positivo e o lado negativo da actividade…
Aqui fica o espaço aberto a todos os que quiserem partilhar com os futuros jornalistas um pouco do que os espera… (usem os comentários)

What is to be journalist? What are the challenges that await the future professionals? What are the characteristics that a journalist should have? The positive side and negative side of the business ...
Here the space is open to all who want to share with future journalists what it is to be journalist (use comments)
On February 11th, 2009,
postado em: JORNALISMO por João Simão

Sofia Teixeira
19 de February de 2009 at 12:31Foi com muito prazer que tenho vindo a estabelecer novos contactos, e não poderia deixar de partilhar o testemunho de Raquel Rosa, correspondente das TVG em Portugal.
“Ser jornalista é uma forma de vida, uma eleição pessoal, um desafío e também uma ilusão.
Uma forma de vida, porque nós jornalistas temos muitas vezes que renunciar à nossa própria vida, amigos, namorados, famílias, lazer, nesta profissão não há horários, não há previsões exactas, em qualquer momento surge a noticia.
Uma eleição pessoal, porque é preciso amor pela profissão, vocação, paixão, é algo pessoal, que sai de nós mesmos.
Um desafío, porque há imensos jornalistas devido à massificação do accesso á informação com os novos meios, porque não há tempo para aprofundar, pela responsabilidade que os jornalistas (aínda que ás vezes esquecemos) temos com a sociedade, a tradicional teoría dos gatekeepers. Porque falamos da vida das pessoas, de feitos que têm de ser demonstrados, porque com a sensacionalização e banalização é necessario humanizarmos a informação.
Uma ilusão, porque a vida de jornalista é sempre uma vida diferente, qualquer coisa pode acontecer, porque não existem rotinas e cada trabalho, cada entrevista, cada novo tema surpreende, ensina, ajuda a compreender o mundo em que vivemos, e que infelizmente desconhecemos.
Muitas manhãs acordo a pensar no porquê de ser jornalista, de mudar de país, de estar disponivel 24 horas dos 365 días do ano… Há quem diga que nao compreende como posso viver assim, ás vezes eu também o questiono, mas são esses días de noticias importantes, de temas novos, de trabalhos prolongados da manhã até á madrugada, que nos dá a satisfação por tentar fazer o traballho da melhor forma possivel, fazem sobrepassar todos os maus momentos. São esses días que me fazem estar orgullosa de ser jornalista, nos que me sinto privilegiada de viver os acontecimentos em primeira pessoa e também de poder contá-los.
Ser jornalista, (eu de televisao), nao é só escrever uma noticia e aparecer no ecrã. Ser jornalista requere muitas horas de leitura, livros, jornais, blogs…, chamadas de telefone, requer ouvir as pessoas, saber ouvir, saber quando calar, querer saber o que interesa aos demais… Nós temos que contar o que interessa aos espectadores, leitores, não o que nós queremos contar…
É preciso ter paciencia, manter a calma e aproveitar bem o tempo.
E como em tudo na vida, é necessario ter sorte.
Actualmente a minha vida é a minha profissão. Quando um tem a sorte de exercer como correspondente renuncia á familia, amigos, ás vezes também os namorados, renuncia a todo aquilo que compõe o seu mundo, mas nem tudo é perda. O corresponderte ganha um novo mundo que lhe abre os olhos. Espero que nao seja para sempre, gostaría de trabalhar em Espanha, mas pelo momento quero/tenho de aproveitar esta oportunidade.
O jornalismo dá a oportunidade de experimentar coisas que com outra profissão seria impossivel.
Quando tinha 13 anos, eu e um grupo de amigas tinhamos um programa na radio local da vila e colaborava com o jornal da escola. Ja na universidade comecei como estagiária na TVG e na TVE. O meu primeiro trabalho com contrato profisional veio depois de acabar os estudos, numa produtora que fazia comunicação política, para o Parlamento de Galicia, e diferentes grupos políticos. Ano e meio depois tive a oportunidade de voltar á TVG como jornalista de directos e seis meses depois, em Dezembro de 2007 surgiu a oportunidade de vir para Portugal, e cá estou à mais de um ano.
Tenho vinte e seis anos, poucos de experiência profissional, por isso não estou capacitada nem pretendo dar lições a ninguém, este só é um testemunho pessoal de como alguém vive uma profissao que decidiu exercer quando tinha só 12 anos.
Raquel Rosa.”
nanipereira
19 de February de 2009 at 13:56Após a proposta do professor Simão, contactei desde logo diversos profissionais da área do jornalismo, dos quais não obtive qualquer resposta até então. Apenas Rita Pinho Matos, jornalista na TVI Trás-os-Montes (Vila Real), se prontificou desde logo a esclarecer esta questão do que é verdadeiramente ser jornalista, com toda a sua simpatia. Agradeço desde já a sua disponibilidade e cooperação, espelhadas no relato dado por esta jovem profissional, extremamente motivador e provido de esperança e entusiasmo para nós que pretendemos, um dia, optar por esta carreira profissional.
“O jornalismo é uma (re)construção do real. Assim, ao contrário do que muitos teóricos advogam, o trabalho do jornalista não é reflectir a realidade – plural, porque todos temos óculos diferentes -, mas sim filtrá-la, e sempre sob um determinado ângulo (essa atitude já encerra em si mesma algum subjectivismo).
Nem a fotografia (o médium que consegue o maior grau de iconicidade) é uma reprodução fiel dos objectos que os aparelhos captam. O jogo começa na selecção dos estímulos. Cada facto esconde uma série de possibilidades de abordagem que nos cabe fazer emergir. Por isso, há que ser vigilante (se quisermos, um watchdog social) e versátil; avaliar as situações; perceber o verdadeiro valor-notícia, a essência das coisas; adequar a mensagem às particularidades do meio e do público-alvo; e em última análise, respeitar um deadline, no caso da Internet, inferior ao segundo.
A minha carreira jornalística começou este ano, na TVI Porto, onde tive oportunidade de realizar o estágio curricular. Aí, procurei assimilar as rotinas inerentes à prática do jornalismo numa estação comercial, potenciar as minhas capacidades de investigação e produção informativas no menor tempo possível, apurar o olfacto jornalístico, exercitar e aperfeiçoar a escrita. Em suma, criar todas as condições para um lançamento promissor no mercado de trabalho, na área da comunicação social.
Agora, na TVI Trás-os-Montes, a aprendizagem continua, embora se juntem outras preocupações: estabelecer contactos na área, ser pragmática e autónoma… ter maior poder de decisão – o que, na antecâmara do TVI 24, é fundamental. Aprendi que é importante ter referências, e, paralelamente, criar um estilo próprio. Gosto de imprimir um certo lirismo nos meus textos. Acho que a informação deve ser um produto dinâmico e emotivo. Imparcialidade não significa frialdade, alheamento. O jornalista não é um zombie incorpóreo.
O ritmo de trabalho de uma delegação não obedece a horários ou escalas. Os editores dos diversos serviços noticiosos pedem uma reportagem – mas, muitas vezes, são os coordenadores a sugerir determinado tema. Aí, o jornalista veste também a pele de produtor, já que é ele quem trata de toda a logística, mesmo nos directos. Conhecedor das necessidades do produto, conceptualiza-o: pensa no enfoque a dar, na estrutura do texto, nos pontos que espera ver desenvolvido pelo entrevistado, etc. E depois escreve para as imagens que tem. Segue-se a sonorização. E finalmente, a montagem, onde o jornalista tem um papel activo. Introduz uma sugestão de pivot e os oráculos no alinhamento… Está no ar… Só que o ciclo nunca pára: os acontecimentos fluem e ele fica acordado, ali, a dançar neles…”
MileneFernandes
19 de February de 2009 at 14:16No âmbito da disciplina de Imprensa, Rádio e Televisão foi-nos proposto contactar alguns profissionais de jornalismo com o seguinte intuito: perguntar o que era na realidade ser jornalista, ao qual José Paulo Santos, repórter de imagem da TVI, respondeu da seguinte maneira:
“Apesar de eu ser Repórter de Imagem o que é certo é que tenho carteira profissional de jornalista igual a de qualquer outra carteira de um qualquer jornalista logo sou um profissional que trabalha em comunicação social, exercendo funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de imagem e som, com o destino de ser divulgado no meu caso nos serviços noticiosos de televisão. Para isso tenho de ser extremamente perspicaz no terreno a fim de ter as imagens necessárias e com qualidade jornalística para poder ter um peça de TV e com disponibilidade total em termos de horários na medida que a noticia não tem hora marcada para acontecer…”
Angelo Melo 27157
19 de February de 2009 at 19:25O jornalista continua a ter grandes desafios na sua carreira que se colocam, no meu entender, ao nível da ética dos procedimentos. Filtrar o acontecimento noticioso, considerar a sua importância social, qual a extensão e conteúdo da notícia, o modo se utilizam os adjectivos, a confirmação substantiva dos factos, ajuizar do impacto que a notícia vai ter na sociedade, exige do jornalista o distanciamento emocional necessário e uma reflexão apurada e rápida, uma notícia pode causar transtornos sociais se não for objecto de uma análise cuidada.
Na era da informação em tempo real, é necessário que domine as novas tecnologias de informação, deve dispor de criatividade e controlo, conseguir um estatuto de credibilidade e imaginação jornalística gerindo de forma inteligente a informação de que dispõe, garantir estes parâmetros constitui certamente o melhor caminho
Sónia Rodrigues
19 de February de 2009 at 23:04Ser jornalista … exige muito esforço, é necessário estar vigilante a tudo o que nos rodeia, o primeiro passo é filtrar a realidade,e depois tentar construir a noticía, perceber a essência dos factos e finalmente transmitir a mensagem, esta deve ser adequada a um público alvo,e nunca deve discernir do seu valor,deve levantar o véu,submergir-se na transparência,deve criar laços com o leitor.Para Rita Pinho Matos-TVI Trás-os-Montes(…)nem a fotografia (o médium que consegue o maior grau de iconicidade) é uma reprodução fiel dos objectos que os aparelhos captam. O jogo começa na selecção dos estímulos. Cada facto esconde uma série de possibilidades de abordagem que nos cabe fazer emergir. Por isso, há que ser vigilante (se quisermos, um watchdog social) e versátil; avaliar as situações; perceber o verdadeiro valor-notícia, a essência das coisas; adequar a mensagem às particularidades do meio e do público-alvo(…)
Claúdio Germano e Manuel Tapada
20 de February de 2009 at 13:47Luciana Teixeira
20 de February de 2009 at 16:08Ser jornalista é acima de tudo uma vocação, uma paixão interior que nos leva a abdicar de quase tudo por uma qualquer irracional dedicação que nos retira o tempo útil para muitas outras coisas.
É ter sempre presente que temos de ser rigorosos, isentos, objectivos (dentro das nossas limitações culturais, políticas, religiosas e sociais), distanciados, racionais na análise e ponderados na execução.
É sermos fiéis aos factos e nunca admitir que “uma má verdade não pode prejudicar uma boa história”
Ser jornalista é ser fiel à história, observador privilegiado dos acontecimentos, ter a noção de que podemos influir no seu curso mas não nos deslumbrarmos com tal possibilidade. Saber medir o peso da nossa influência sem quereremos ter mais do que aquela que nos é destinada.
É saber que temos de seguir os nossos instintos, as nossas emoções e intuições, mas que servem apenas para a busca. Na execução devemos ser frios, racionais e honestos.
É saber que ser famoso, ser director, ser editor ou ter um qualquer cargo de chefia é apenas um “estar” transitório, e nunca um “ser ” definitivo.
E acima de tudo evitar sempre dar razão ao Miguel Sousa Tavares:
Após várias tentativas de contacto com vários jornalistas, consegui entrar em contacto com o jornalista da RTP, estou a falar do admirável jornalista António Esteves, uma vez mais muito obrigado pela sua colaboração.
António Esteves diz que: “A nova geração de jornalistas é de longe a mais reprimida, a mais abusada e a mais desiludida, geração de jornalistas de sempre incluindo as do tempo de ditadura (…) Nas redacções, nenhum editor, supondo que seria capaz, lhes ensina coisa alguma sobre Jornalismo: como deve ser investigada uma notícia, como deve ser redigida, como deve ser feito um título. Porque já não é de Jornalismo que se trata mas de simples compra e venda de títulos e de supostas notícias.”
Miguel Sousa Tavares
“O Massacre do Jornalismo”
in Jornal Público 09/05/2003
ana fernandes
23 de February de 2009 at 17:14Foi uma tarefa árdua e bastante difícil conseguir que algum jornalista me respondesse, mas como diz o ditado popular, “quem espera sempre alcança”, e é verdade.
É com bastante regozijo que acabo de receber a resposta de duas jornalistas: muito gentilmente respondeu-me a jornalista Cristiana Soares, que neste momento se encontra em Paris (cedeu-me o seu contacto através do twitter), e a directora do Jornal Terra Quente da cidade de Mirandela ? a jornalista Marisa Raquel Alves.
Aqui ficam as suas respostas!
Cristiana Soares:
“O que significa ser jornalista?
Um jornalista faz a ponte entre os factos e o público. Um relato que reflecte o espelho da realidade e que deve ser feito com base em honestidade e sinceridade. Ser jornalista significa viver na corda bamba, entre o poder e o contra poder.
Um jornalista é sem dúvida um garante da democracia.
Quais são as competências necessárias para se ser um bom jornalista?
Perseverança, teimosia, bom nível de cultura geral, curiosidade, vontade de aprender, gostar da profissão.
Quais são os aspectos negativos e positivos da profissão?
Falta de horários, falta de tempo, exposição pública, falta de privacidade, excesso de stress, pressão.”
Marisa Raquel Alves:
“ O que significa ser jornalista?
Ser jornalista é ser um transmissor de informações.
É estar disponível 24 horas por dia durante 365 dias por ano, sempre na busca de informação para transmitir e informar os leitores ou ouvintes.
Os aspectos positivos e negativos da profissão?
Positivos:
Ter acesso a informações de forma mais privilegiadas.
Negativos:
Não ter vida própria; ter que estar sempre disponível.
Competências necessárias para ser bom Jornalista?
É essencial para ser bom jornalista ter uma boa agenda de contacto, preferencialmente, englobando vários sectores.”
Desde já agradeço o facto de prescindirem um pouco do seu tempo para responderem a estas questões.
Muito obrigada!
Florbela Teixeira da Silva
23 de February de 2009 at 17:32Tal como me foi proposto para a disciplina de Imprensa, Rádio e Televisão procurei, junto de vários jornalistas de órgãos de informação nacionais e regionais, obter uma resposta para as questões que nos foram apresentadas. Dos vários contactos que formalizei a resposta que mais se destacou foi da Jornalista Manuela Carneiro, correspondente da SIC, à qual aproveito para agradecer a prontidão com que me respondeu.
“Olá Florbela…
Só agora arranjei um tempinho para responder ao seu mail.
Quanto à 1ª pergunta, vou dar-lhe a mesma resposta que dei aos seus colegas, por uma questão de coerência e falta de tempo
- Um jornalista é um mediador entre um acontecimento e o público.
A sua função é comparada à de um filtro… o jornalista tem de “filtrar” o que de relevante tem um determinado acontecimento e transmiti-lo de acordo com critérios noticiosos ao seu público.
O trabalho do jornalista é como uma missão… uma missão de transmitir notícias com o maior rigor e isenção possíveis, respeitando sempre o código deontológico, mas procurando sempre um ponto de vista atractivo, interessante, por forma a cativar a sua audiência.
No meu caso, que sou correspondente, tenho a obrigação acrescida de dar a conhecer uma região, procurando sobretudo transmitir, além da actualidade, os valores, a cultura, as tradições do distrito de Vila Real.
Ser jornalista é uma grande responsabilidade, uma vez que aquilo que transmitimos será sempre o nosso olhar sobre uma determinada realidade. A realidade que transmitimos ao público é uma realidade construída… a notícia nunca é um espelho da realidade. Temos, por isso, de ter sempre muito cuidado com o que dizemos ou escrevemos… trabalhamos num meio poderoso, com muita influência na formação de opiniões.
A nossa grande meta deve ser construír um percurso de credibilidade para que o público confie no nosso trabalho. Sem essa confiança o nosso trabalho não faz sentido.
- DESAFIOS
As novas tecnologias têm vindo a dar um grande impulso e uma nova dimensão à comunicação social. A relação com o público mudou, passando este a ter um papel cada vez mais participativo numa comunicação que se caracterizou durante muito tempo como sendo unilateral. É preciso aproveitar essa nova dinâmica e o desenvolvimento tecnológico para encontrar novos rumos para o papel do jornalista. A informação online é já uma realidade e é certamente um mercado de futuro, onde poderão encontrar oportunidades para desenvolver a vossa carreira.
Mas o desafio maior será, sem dúvida, fazer um trabalho sério, credível, independentemente das exigências dos vossos superiores.
Não se esqueçam que podemos fazer notícias interessantes, que “vendem”, sem por em causa os valores éticos que deverão ser sempre os pilares da vossa actuação.
- CARACTERÍSTICAS QUE UM JORNALISTA DEVE TER Antes de mais tem de ser um bom observador – olhando com “olhos de ver” ao que se passa à nossa volta, depressa percebemos que podemos encontrar um bom tema de reportagem nas coisas mais simples da vida. Há quem fale no “faro” jornalístico ou instinto jornalístico e, de facto, o bom jornalista tem de ter essa sensibilidade. Não é necessariamente algo que nasce connosco… é algo que se adquire com a experiência, observando, sendo curioso, acima de tudo, trabalhando muito, saíndo para a rua. Não devemos esperar que as notícias venham ter connosco… temos de as procurar e criar laços com potenciais fontes… um elo muito importante para conseguir boas histórias.
E, claro, ser rigoroso, sério, isento no trabalho que desenvolve.
- LADO POSITIVO
Conhecer muitas realidades, muitas pessoas, muitos lugares. Nesta profissão nunca há monotonia. Cada notícia é uma nova aventura, um novo lugar, novos protagonistas.
O facto de muitas vezes ajudarmos as pessoas a resolver problemas é também muito gratificante… é o lado de serviço público da nossa profissão.
- LADO NEGATIVO
Não ter horários. Quando se tem um trabalho com isenção de horário, muitas vezes, temos de adiar as nossas vidas pessoais. No meu caso, por exemplo, torna-se muito difícil fazer planos, pelo menos a longo prazo.
Há também uma grande exploração nesta área, à semelhança do que acontece noutras em tempo de crise.
Hoje em dia o mercado de trabalho está complicado a diversos níveis e a comunicação social também sente a crise. Além disso, existe uma forte concorrência neste mercado, uma vez que há muitos licenciados nesta área. É por isso que tem de se ter muita paixão por este trabalho, muita garra e muita disponibilidade. Quem quer singrar neste meio não pode baixar os braços quando surge a primeira dificuldade. Tem de se mentalizar que é uma profissão onde os horários não fazem sentido, obrigando-nos muitas vezes a sacrificar a nossa vida pessoal.
Além disso, é preciso lutar contra determinadas rotinas instaladas e procurarmos sempre dar o nosso melhor para fazermos um bom trabalho, com credibilidade.
Espero ter respondido a tudo o que pretendia
Cumprimentos… Manuela Carneiro”
isabela ferraz
24 de February de 2009 at 18:28Esta é a minha opinião, já que ainda não obtive resposta dos meus contactos.
Ser Jornalista é, não ter vida própria. É estar ao dispor da informação 24 horas por dia, seja onde for, o que quer que seja, desde que seja notícia de primeira página.Estar sujeito à opinião pública e a pressões. Estar sempre atento a tudo o que se passa no País e no Estrangeiro, estar sempre muito bem informado.
Rita Matos (TVI)
26 de February de 2009 at 20:55Parabéns pela recolha dos testemunhos. Das muitas respostas que li, gostei em particular da do Luís António Santos… Bebam dessas palavras… e nunca desistam. Beijinhos e boa sorte a todos!
Vitor Rodrigues
1 de March de 2009 at 23:47(Mais) Uma resposta tardia que obtive, desta vez, do Editor-Chefe da revista britânica “The Wire”. Uma visão extrema, mas nunca irrealista.
Mais uma vez, peço desculpa pelo texto em Inglês.
Well, you did ask…
> What is to be a journalist?
To be a journalist is to condemn yourself to a life of poverty and derision
from all sectors of society.
> What are the challenges that await the future professionals?
How to stay sane in an utterly compromised profession, and how to earn a
living in an era where the mantra ‘content must be free’ has been taken to
its literal extreme.
> What are the characteristics that a journalist should have?
A capacity to consume sufficient amounts of drugs and alcohol to stave off
the inevitable bouts of anxiety, panic and depression.
> The positive side and negative side of the business
Positive: there are none
Negative: are you serious?
Elisabete Teixeira
3 de March de 2009 at 19:03Perante o desafio que o professor João Simão lançou na aula, perguntar a alguns jornalistas o que é para eles “Ser Jornalista” contactei alguns por via e-mail e por via Twitter para que me respondessem a essa questão.
Assim Fábio Jesuíno, por via Twitter, disponibilizou-se para me me responder dizendo que “Na minha opinião ser jornalista é, pensar, tentar perceber, encontrar e filtrar aquilo que se noticia.”
Desde já agradeço ao Fábio pela sua disponiblidade, continuo à espera de mais respostas…
Sandra Martins
15 de March de 2009 at 12:55Um dos jornalistas que também me respondeu à pergunta: o que é ser Jornalista, foi António Gomes Costa. Para ele ser jonalista é: “Numa linguagem mais simplória, poderíamos dizer que o jornalista é os olhos, os ouvidos e a boca de um determinado acontecimento.
Numa linguagem mais académica, designamos o jornalista pelo profissional de informação com capacidade editorial, que investiga factos ou acontecimentos ou conhecimentos, dando-lhes forma de mensagem intrínseca, com vista à divulgação em meios de comunicação social.
Isto quer dizer que os jornalistas são aqueles que elaboram, preparam, redigem e apresentam notícias, artigos, crónicas, reportagens e entrevistas, que captam e editam sons e imagens, com vista à sua divulgação pública através da imprensa, da rádio, da televisão de agências noticiosas ou de meios electrónicos, baseando-se num conjunto de informações que recolhem sobre determinados factos ou acontecimentos. Jornalista é, em suma, aquele que tem capacidade de interpretar o instante e de transmitir esse instante em palavras ou em imagens.
Assim sendo, que papel tem o jornalista na sociedade?
- Fortalecimento da democracia participativa: dar o direito de expressão a quem não tem voz, privilegiar interesses colectivos e incentivar os cidadãos a fazerem parte do e a construírem o actual regime político;
- Postura vigilante: cabe aos jornalistas desvendarem e trazerem ao conhecimento da opinião pública os reais interesses e perspectivas dos poderes locais e respectivos protagonistas;
- Agenda alternativa: com a maioria dos órgãos de comunicação social nacionais a orientar os seus conteúdos pela mesma agenda – a que gira à volta do Terreiro do Paço -, cabe aos jornalistas, sobretudo aos da imprensa regional, dar expressão e explorar os problemas, os anseios, as iniciativas e o talento das populações locais;
- Desenvolvimento regional: os projectos regionalizadores, como os dos jornais, rádios e televisões locais, devem ter como objectivo minimizar as desigualdades regionais, criando uma identidade compartilhada; chamando os cidadãos a identificarem-se com esse objectivo; dotando a opinião pública de sentido crítico capaz de identificar problemas comuns; ajudando-a a tomar consciência das soluções necessárias e a ter vontade partilhada de pôr essas soluções em prática; mobilizando os cidadãos em nome do desenvolvimento e do aprofundamento da qualidade de vida de todos ;
- Proximidade cultural e geográfica: cabe aos jornalistas e aos media relatar os acontecimentos não só junto das gentes locais, mas também junto dos emigrantes espalhados pelo mundo, levando-lhes notícias da sua terra e todo o tipo de trabalho jornalístico que contribua para a preservação da identidade portuguesa e da manutenção de laços de familiaridade à pátria.
” Obrigada António Costa
isabel rocha
7 de April de 2009 at 16:53Ainda sobre este assunto contactei também o jornalista Manuel Alegre Portugal que me respondeu agora:
“Para mim, ser Jornalista é ser Reporter. Um precioso elo na cadeia que liga as pessoas aos acontecimentos. Portugal é um país com muitos jornalistas mas com poucos reporteres e pouca reportagem digna desse nome.
Cumprimentos.
Manuel Alegre Portugal
RTP Coimbra”
Muito Obrigada!