Entrevista cedida a Joana Gonçalves, aluna do 3º ano e jornalismo na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias para um trabalho sobre "redes sociais e jornalismo" para a unidade curricular de Ciberjornalismo.
1- Acha que as redes sociais influenciam o jornalismo? De que forma? Antes de mais é preciso ter em conta que as redes sociais não são um fenómeno tão novo como possa parecer há primeira vista. A internet surgiu exactamente como forma de criação de uma rede. O social chega depois em designação, pois o termo tem sido alargado. Por rede social actualmente não consideramos apenas sistemas de ligação em rede de perfis pessoais mas todo um conjunto de informação que poderá ser pessoal ou não, social ou não. As redes sociais desde o seu inicio e tempos de menos visibilidade que influenciam o jornalismo. Um conceito simples e base de rede social são as listas de email, estas criaram comunidades especializadas e foram uma das primeiras formas de criação de comunidades virtuais e de redes sociais. Estas listas de email cedo foram utilizadas pelos jornalistas para recolha de informação nomeadamente para recolha de informação e opinião especializada, porque estas redes sempre foram especializadas em determinado tema. Actualmente há uma maior visibilidade e um maior numero de pessoas ligadas em rede e dispostas a partilhar informação. Isso aumenta a possibilidade de fontes de informação e de locais onde recolher opiniões e informações especializadas ou direccionadas.
2- Quais é que são as vantagens para o jornalismo? Se atendermos que os contactos e fontes de informação são um dos aspectos fundamentais para o jornalismo facilmente percebemos a importância e as vantagens das redes sociais. Talvez seja mais importante focarmo-nos nas desvantagens. A grande multiplicidade de fontes de informação gera a criação de ruído na mensagem. Se para uma teoria sistémica como a de N. Luhmann a ordem nasce do ruído é porque há uma selecção desse ruído e esse tem de ser a tarefa a desempenhar pelo jornalista. No entanto as informações verídicas e as falsas coexistem e muitas das vezes ambas são misturadas e até publicadas por jornalistas que se esquecem de uma regra de ouro do jornalismo: confirmar sempre as informações junto de várias fontes.
3- Na sua opinião, é importante os jornalistas estarem registados em redes sociais, como o Twitter ou o Linkedin? Não é só importante como fundamental. E não apenas nestas redes mas em muitas mais de várias tipológicas. Redes como o Picasa ou o flickr são óptimos locais para se encontrarem fotografias que devidamente identificadas poderão ser publicadas. Muitas outras redes especificas em determinados temas ou media poderão igualmente ser fontes de informação muito importantes. O papel do jornalistas está a mudar no sentido em que se deve acentuar o papel de policia na pesquisa e confirmação de “estórias”. O jornalista tem agora ao seu dispor um conjunto de “fontes” que publicam a informação e a “estória” que presenciaram. As redes sociais são o local indicado para encontrar essa “estória” e essas fontes.
4- As redes sociais são mais canais de recolha ou distribuição de informação? São tanto de recolha como de distribuição. Enquanto jornalistas a maior preocupação é a recolha de informação. A difusão compete ao órgão de comunicação em si para o qual se trabalha. Mas sem dúvida os órgão de comunicação devem ter uma presença nas mais variadas redes sociais para estarem mais perto do publico e chegarem até ele pelos mecanismo de recolha de informação usados pelos frequentadores de redes sócias.
5- Com o avanço da tecnologia e com as inovações das redes sociais, onde pode haver uma maior troca de informação entre jornais, pessoas, jornalistas, acha que neste novo mundo social, onde falar é chegar a qualquer pessoa em pouco tempo, a ética profissional do jornalismo pode ficar posta em causa? E mais afastada do seu método conceptual? Esse é o erro da maioria das pessoas que usam o conceito de “jornalismo do cidadão”. Um cidadão nunca poderá ser jornalistas, um cidadão sempre foi e sempre será uma fonte de informação. O que o “jornalismo do cidadão” mostra é um conjunto de fontes que presenciaram determinada “estória” e tiveram usaram meios de publicação com capacidade de atingir as massas. O papel do jornalista continua a ser o mesmo. Recolher informação junto das fontes, confirma-la, trata-la e publica-la. Se o jornalista tiver em conta os mesmos princípios dentológicos, éticos e profissionais que sempre teve a credibilidade e a ética jornalísticas continuarão intactas, pelo menos como sempre foram. Não podemos é considerar jornalistas qualquer pessoa que difunde uma informação sem um rotineiro tratamento jornalístico.
6- O twitter tem sido uma das redes sociais mais "badaladas" do momento. Toda a gente fala neste novo meio de comunicação e hoje em dia várias pessoas e organizações estão registadas no twitter por exemplo. Desde cantores, a politicos, a professores, a actores. As informações são postas ao minuto por estas pessoas. Acha que o facto de haver pessoas públicas a actualizarem as informações ao instante do qual se servem para se promoverem, ajuda o jornalista na recolha de informação e elaboração de noticias? O twitter pode ser visto como uma fonte/ ferramenta de trabalho? A magia do twitter é que a sua simplicidade faz dele muitas coisas. Na realidade o twitter nada mais é que uma forma básica de comunicação na Web através de uma linha de comandos. É mais simples e básico que qualquer chat. Pode no entanto por essa mesma simplicidade ser tudo o que desejarmos. É uma ferramenta de trabalho quer de recolha quer de divulgação. O ser uma moda permite um grande número de utilizadores logo um grande número de fontes de informação. Mas como digo fontes que devem ser sempre confirmadas em diferentes canais. Alguns jornais já destacam jornalistas como correspondentes no twitter de forma a poderem usar informações vindas a publico nesta rede. Há casos paradigmáticos como o amaragem do avião em Nova Iorque ou casos de embuste como acidentes do Liedson entre muitos outros que são falsos. Repito o twitter pode ser uma boa fontes de recolha de informação desde que usada com cuidado. O twitter pode ser um bom meio de divulgação para empresas, entidades, etc… mas também para os jornais. Quase que deixei de usar agregadores de feeds por que os principais meios que sigo estão no twitter e passou a ser o meu leitor de feeds e de actualizações.
7- Num meio tão vasto como o das redes sociais, que legitimidade é que estas redes têm na realidade? Quando se fala em legitimidade, fala-se na veracidade que estas redes e os seus utilizadores têm, porque muitas vezes são criados falsas páginas com nomes de pessoas falsas. Por exemplo, há mais do que um twitter do Presidente da Republica. Como é que o jornalista, quando se serve destas redes como ferramenta de trabalho, consegue verificar a veracidade destas redes e das páginas que nelas existem? Tal como já disse, é preciso fazer uso das ferramentas tradicionais. É preciso verificar a informação sempre junto de fontes diferentes. Se tenho duvidas de qual é o twitter da presidência nada melhor que ligar para o responsável da casa civil do Presidente da República e confirmar as informações que recebi via twitter. E isto é válido para tudo. O jornalista deve manter o seu papel de policia, verificando e confirmando a informação. A profissão e a credibilidade do jornalismo dependem das informações credíveis que o jornalismo divulga em detrimento de toda a incerteza das informações verdadeiras e falsas presentes nas redes sociais.

Filipa Gomes
27 de April de 2010 at 18:37Sinto me um bocado perdida, tenho um trabalho para apresentar na cadeira de documentalismo online e o meu tema é a internet em Portugal e a terceira idade. Até aqui tudo bem, o problema é que vou fazer uma entrevista a uma professora doutorada e nao sei como hei de fazer, se hei de filmar mesmo a entrevista para depois apresentar na aula, ou se hei de gravar apenas atraves de um gravador de voz e tirar apontamentos. AJUDEM-ME POR FAVOR!
Rosi Cheque
4 de May de 2010 at 18:05Oi. Adorei a entrevista (parabéns).
Forte abraço,
Rosi Cheque – jornalista e radialista (SP, capital)