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JORNALISMO

25 CONSELHOS PARA JORNALISTAS (tradução)

Os jornalistas estão a ficar cada vez mais preocupados com a sustentabilidade das suas carreiras. Os que não trabalham via on-line, ou seja, os que pertencem aos media tradicionais, ainda mais preocupados estão porque os últimos desenvolvimentos não prometem um futuro próspero. Mas apesar de todos os problemas os jornalistas serão sempre necessários. O jogo ainda não está terminado para os jornalistas, está apenas a modificar-se.

Os jornalistas que pertencem aos media tradicionais terão de adquirir novas capacidades e adaptar-se às mudanças que esta industria tem ultrapassado.

Mais do que tudo trata-se de uma mudança cultural. Trata-se principalmente de um desafio à mentalidade da imprensa em formato papel. Não se está a falar somente dos jornalistas mais antigos mas também dos jovens que só agora terminaram os seus cursos e enveredaram para o mundo do jornalismo regional. Apesar da sua juventude, a verdade é que para muitos jovens a internet ainda é um território desconhecido á espera de ser descoberto: contudo cada vez mais e mais jornalistas acabarão por publicar os seus artigos via on-line, pelo que têm de se adaptar a esta nova tendência enquanto ainda têm a oportunidade de o fazer.

Ao longo dos anos tenho evangelizado a internet como um recurso que ajuda imenso os jornalistas, mas ainda há muitos que trabalham nos media tradicionais que olham para a internet com desconfiança: para estes o jornalismo só será considerado apropriado dentro dos moldes do jornalismo impresso.

O jornalismo impresso não se cinge somente a texto, o seu formato permite adicionar imagens aos seus artigos. Que dizer agora da internet? Um artigo on-line pode incluir vídeo, áudio, galeria de imagens, links para adicionar mais informação ao artigo, a oportunidade de uma maior interactividade com os leitores e de resposta directa a partir dos comentários, e pode ser lido de diversos modos (on-line, RSS-Reader, ou através do telemóvel).

Considerando tudo o que já foi dito, agora os jornalistas têm de aprofundar e adquirir estas novas competências para assim garantir a sustentabilidade futura da profissão.
Antecipo um futuro onde jornalistas serão capazes de conciliar as competências tradicionais do jornalismo e as novas competências que a internet exige. Um jornalista não estará limitado a escrever somente para uma plataforma.

Seguem-se aqui algumas sugestões práticas para os jornalistas que queiram aprender estas novas competências que o mundo on-line exige, para assim verem expandidos os seus horizontes:

  1. Crie um Blog. Publicar na internet costumava ser difícil mas as plataformas on-line evoluíram e nunca foi mais fácil do que agora. Experimente o Posterous, que permite publicar os seus posts via e-mail. Crie o seu próprio blog pessoal ainda hoje, ou ainda melhor um blog temático. Um blog será algo muito enriquecedor que o ajudará a ganhar reconhecimento. Com o Posterous estará a publicar os seus posts em menos de 5 minutos sem ser necessário registar-se ou fazer sign in.
  2. Colabore. Se está preocupado pelo facto de não ter tempo suficiente para manter o blog actualizado, porque não experimentar colaborar com outras pessoas, ou juntar-se a um blog ou publicação já existentes? Ajudará a aumentar a sua experiência, a enriquecer o seu currículo, e será útil para outras pessoas que vejam para melhorem as suas competências relativamente à internet. As pessoas conseguem alcançar muito mais quando trabalham juntas.
  3. Evidencie as suas capacidades. Poderá escolher não ter um blog, mas deveria ter o seu Portfólio disponível on-line. Evidencie as suas competências e sua experiência: faça links através do seu Portfolio on-line para o seu trabalho. Não há razões para não o fazer.
  4. Escreva acerca dos seus gostos (a sua paixão). Regressamos ao primeiro ponto, criar um blog. Há jornalistas que escrevem artigos sem estarem minimamente interessados nos assuntos que escrevem. Raramente as pessoas seguem jornalismo se não tiverem gosto pela escrita, porque não reencontrar outra vez esse gosto? O que o impede de escrever sobre algo de que realmente goste? Tente escrever sobre algo do seu interesse pelo menos uma vez por semana. Ajudará a construir o seu portfolio e sentir-se-á mais feliz no seu trabalho. Será capaz de expressar as suas opiniões e talvez arquitectar uma escapatória a um trabalho já gasto e dado por morto.
  5. Feeds FTW. Aprenda a organizar os seus temas, as suas histórias, as suas melhores fontes, palavras-chave e por daí em diante. Faça isso facilmente criando RSS Feeds para pesquisar em sites como o Google News, Twitter e Digg. Se ainda não está familiarizado com o RSS feeds subscrever conteúdos, verifique então o Google Reader e faça as notícias virem em direcção a si. Pode utilizar o Byline app (iTunes Link) para o iPhone se pretender ler artigos em off-line quando não puder navegar na internet.
  6. Adira ao Twitter. O Twitter é simplesmente uma câmara de eco protagonizada por milhares de pessoas. É absolutamente uma fonte de notícias mas não é jornalismo. Esse é o seu trabalho: validar as fontes e as constantes histórias e consequentemente desenterrar, dar vida às notícias. Siga aqueles que mais influenciam a comunidade Twitter e use esta rede social como um filtro. As pessoas irão retribuir-lhe o follow e poderá utilizar o twitter para ter uma maior consciência acerca do seu próprio trabalho.
  7. Produza os seus vídeos. É agora mais fácil do que nunca filmar e dar a conhecer os seus vídeos. Existem câmaras internas nos telemóveis e portáteis. Há câmaras de baixo preço como as Flip, que são vídeo câmaras interwebs, e câmaras HD também de baixo custo. Há sites de vídeo que ajudam a fazer o upload. Adicionar vídeo a um artigo on-line é muito simples. Os jornalistas que pertencem a jornais impressos, podem vir a descobrir que alguns artigos podem beneficiar bastante ao ter elementos multimédia como o vídeo. Tens a opção de publicar os teus artigos de forma mais rica.
  8. O telemóvel é realmente uma ferramenta muito útil e maravilhosa. Nunca foi tão fácil capturar ideias, construir artigos e publicar o conteúdo. Há tantas e úteis aplicações capazes de ajudar os jornalistas: o Audioboo, as aplicações do Dictaphone, as ferramentas do Workflow, as mensagens, a possibilidade de poderem capturar vídeo, de se poder também fazer anotações e muito mais. O telemóvel é realmente o melhor amigo do jornalista, o iPhone é simplesmente maravilhoso. Aprenda a tirar o melhor partido do seu telemóvel.
  9. O SEO é um acrónimo que deveria aprender. Significa “search engine optimisation” e é simplesmente a ciência de fazer com que os seus artigos estejam no lugar cimeiro do top do Google. Precisa de aprender como optimizar o seu trabalho no Google para dar o verdadeiro impulso. As notícias de hoje não são as notícias dos jornais baratos de amanhã: estarão sempre arquivadas no Google. No futuro os jornalistas que estiverem familiarizados com o SEO, estarão em vantagem sobre aqueles que não estiverem familiarizados. Faça a sua pesquisa e descubra o que deseja classificar no Google. Assim que começar a ter sucesso nos motores de busca, irá entender o valor que as tags e o copywriting possuem.
  10. Aprenda a adorar os links. Os links são a força motriz que fazem o mundo online girar: são eles que fazem a escala do Google e providenciam o tráfego online. Saiba como escrever links de qualidade e preste atenção àqueles que visitam os seus links assiduamente.
  11. Tag, Tag, Tag. O Tag é óptimo e desempenha um papel importantíssimo nas pesquisas que se efectuam. Através do Tag torna-se mais fácil para as pessoas e para os motores de busca encontrarem os conteúdos online.
  12. Online Copywriting. Não é muito diferente do que offline Copywritting, mas novos aspectos a considerar. Aqui fica o online copywriting de A a Z, que dar-lhe-á o básico que necessita saber.
  13. Regras de legibilidade. Os jornalistas já se encontram familiarizados com as regras de escrita de Orwell, e devem também estar familiarizados com as regras de escrita para a Web. Os parágrafos enormes deixam de existir e o que se pretende são artigos pequenos e concisos: esta é uma característica que se está a transferir também para a escrita em geral sem ser só online.
    Não tenho bem a certeza se os artigos em formato lista, tal como este, serão particularmente uma boa coisa, mas as listas funcionam muito bem no estilo de escrita online porque são fáceis de entender e as pessoas aderem ao link porque sabem aquilo que vão encontrar. Dê às pessoas o que pretendem. Em qualquer ocasião descubra quais os formatos que melhor resultam online (há outros) e experimente também os formatos novos que vão surgindo.
  14. Ignore o tecnicismo excessivo nas palavras. Pode ter frases preenchidas com expressões como “social media” ou “Web 2.0”, mas alternativamente podem gerar o medo. Lembre-se de que algumas palavras demasiado tecnicistas sem haver a necessidade de tal podem ser mais insignificantes e desprovidas de sentido do que outras. Odeio o jargão mas também temos de ter em mente de que algo que soe mal ao nosso ouvido pode ter muita substância e por isso vale a pena investigar.
  15. Os exclusivos estão ultrapassados. Todos os jornalistas adoram dar uma notícia em primeira mão, mas uma notícia exclusiva não permanece exclusiva por muito tempo nos tempos que correm. A TMZ lançou o exclusivo sobre Michael Jackson, mas passada apenas uma hora já se podia observar no Google News mais de 1000 noticias sobre o mesmo assunto. Os exclusivos são óptimos para os links e para um maior crédito, mas os artigos de interpretação são igualmente importantes. Se não conseguir interpretar o conteúdo de um artigo fale com pessoas que o possam ajudar. Tente explicar o que não ficou tão claro e explicito para os leitores.
  16. A objectividade está demasiado credibilizada. Apenas uma pequena porção dos artigos publicados para as massas é que são realmente considerados objectivos. Os jornalistas até se podem esforçar para escreveram um artigo verdadeiramente objectivo, mas qualquer editor, para não mencionar também proprietários ou até publicitários influentes, podem transformar um artigo que vá para além da opinião. Talvez posicionar-se num destes lados seria o ideal, mas como é óbvio não funcionará para todos os tipos de artigos.
  17. A subjectividade é demais. Considerando o que foi dito no ponto acima, haverá um modo de treinar o cérebro para introduzir um pouco mais de opinião nas suas histórias? Pode ser que não lhe seja permitido fazer isso agora (crie um blog imediatamente) ou talvez o artigo em si não o permita, mas os meus escritores favoritos todos têm uma voz muito forte e são felizes por poder elevá-la ainda mais alto algumas vezes. Faça a sua visão das coisas ser ouvida, desenvolva a sua própria voz e não tenha medo por dar a conhecer a sua opinião. No fim de contas as opiniões podem colocá-lo dentro do campo de visão do radar e até conduzi-lo a um novo trabalho. Poderá de facto ser o futuro da indústria das notícias.
  18. Participe. Seja visto, seja ouvido, comente, responda a comentários, dê a conhecer o seu nome. Deixe as pessoas saber que está interessado em desenvolver mais e mais os seus artigos mas aconteça o que acontecer, faça o que fizer, não tente inventar os factos.
  19. Oiça. Os escritores estão a tornar-se muito melhor ao interagir com os seus leitores, em escutar o que é dito. Muitos editores permitem agora que os leitores comentem os artigos, e até alguns meios de comunicação para massas, expõem os e-mails recebidos pelos autores dos artigos em causa em rodapés. Os leitores gostam de ser ouvidos e de comunicar directamente com os jornalistas, autores das notícias em causa. Desenvolva relações entre quem o lê e deixe as pessoas chamarem-no atenção para as notícias directamente.
  20. Notícias em tempo real. Nós estamos a dirigir-nos cada vez mais perto para o mundo do presente. As notícias são o agora. Observe a rapidez com que as notícias se espalham neste momento. É raro em que a primeira vez em que leia um grande artigo, esse mesmo artigo esteja publicado no jornal que sairá amanhã. Uma grande história não ficará despercebida por muito tempo. Não dê os seus artigos por terminados, actualize-os à medida que vai aprofundando mais o assunto (actualizar os artigos é uma grande vantagem quando se escreve para jornais on-line).
  21. Adira ao Crowdsourcing. Não acredito muito na chamada sabedoria da multidão, mas é certamente vantajoso pedir ajuda, trocar conhecimentos. Com certeza que outras pessoas ajudarão uma ideia ganhar pés e cabeça para assim poder tornar-se real.
  22. Network. Aproxime-se mais das pessoas! Crie relações online como na vida real. Desenvolva ligações e vá ao encontro das pessoas que ajudem os seus artigos ganharem vida com um comentário perspicaz. Reúna, adira a grupos influentes, siga pessoas interessantes, adira ao Linkedin, faça com que seja fácil as pessoas ligarem-se a si.
  23. Aprenda a ser poupado. Porque pagar por uma iStockPhoto para o uso de uma fotografia, quando pode utilizar o Flickr? Há milhares de fotografias com qualidade disponíveis que pode utilizar legalmente.
  24. Seja agnóstico em relação às plataformas de comunicação social. Tal como já foi mencionado há uma divisão que permanece entre os jornalistas que trabalham on-line e aqueles que trabalham dentro do jornalismo impresso. O jornalismo on-line ainda é visto com escárnio por parte dos media tradicionais. Um artigo não se torna bom somente porque aparece impresso! Os melhores jornalistas serão capazes de aplicar as suas capacidades em todas as plataformas.
  25. Faça-o agora. Não adie. Não tema a internet. Não espere até o seu patrão lhe vir dizer que precisa de adquirir novas capacidades. Se tem uma barreira mental e continua mergulhado no mundo offline, dê uma chapada na sua cara, beba uma bebida forte e esqueça o relógio. Esqueça o dia de ontem, não há nenhum tempo como o presente. Abrace o que está ao seu alcance, ser um jornalista flexível, e use as ferramentas adequadas para a sua profissão. Prometo que não irá custar nada!

Artigo original publicado aqui por Chris Lake editor chefe da Econsultancy, empresário e utilizador de longo tempo da Internet. Pode segui-lo no twitter ou via Linkedin.

Fonte original: www.econsultancy.com
Via:Ponto Media

Comentários

6 comments para “25 CONSELHOS PARA JORNALISTAS (tradução)”

  1. Grande artigo. Fizeram bem em traduzir, é sem duvida muito interessante.
    Em relação ao ponto 15, o Exclusivo, visto a rapidez de propagação ser muito maior, pode agora ser substituído pelo: Em Primeira Mão.

    Publicado por md13 | August 28, 2009, 17:28
  2. [...] vamos ler um bom texto, chamado 25 Conselhos para Jornalistas, que tem relação direta com o direcionamento da nossa [...]

    Publicado por Penúltima aula « | September 28, 2009, 17:02
  3. [...] CONSELHOS PARA JORNALISTAS (tradução) Por Ana Fernandes ? Agosto 28, 2009 ? Deixe um comentário [...]

    Publicado por Espaço Universitário | September 28, 2009, 23:31
  4. Gostei bastante destes 25 conselhos. Ainda estou indecisa sobre qual área seguir no ramo da comunicação. Confesso que sou mais atraída pela publicidade, pois sou apaixonada por fotografia. Contudo acho que alguns dos conselhos se aplicam a todas as áreas do Jornalismo. Tentarei seguir alguns deles.

    *
    Daniela Azevedo

    Publicado por Daniela Azevedo | February 10, 2010, 10:56
  5. Muito obrigado pela tradução. Vivo, de certa forma, dentro da internet, porém, sinto-me tímido em relação ao mundo de possibilidades que a rede nos oferece. Os conselhos me ajudaram a perder o medo e a vergonha da web. O tempo chegou e é agora,
    boa noite.

    Publicado por Talvacy Chaves | April 15, 2010, 23:01
  6. Adorei o artigo de Chris Lake acerca dos 25 Conselhos a seguir por um Jornalísta e a respectiva tradução de Ana Fernandes. Ferramenta indispensável para quem está em Comunicação. Bem hajam, Linda

    Publicado por Olinda Cavadinha Lopes da Costa | May 16, 2010, 9:58

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