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EMPRESA:
Voxx (rádio)
Rocksound (revista)
Clix (Editor de música)
Diário de Notícias (jornalista)
Diário Digital (Editor de música)
MVM (apresentador)
Por estranho que pareça, nunca gostei de escrever. Em criança, nunca tive o sonho de ser jornalista. Por mero acaso (ou carolice dos envolvidos) fui parar à rádio e a partir daí o comboio rolou sempre a alta velocidade. De convite em convite, fui progredindo até chegar ao Diário de Notícias, primeiro, e ao Diário Digital, depois. Pelo meio, sete meses no Cenjor serviram para sistematizar conhecimentos adquiridos no terreno sem grandes bases que o sustentasse. Foi uma escola interessante para quem nunca se tinha imaginado na pele de um repórter nem estava habituado a ouvir os desabafos do povo sem ser por meio audiovisual. Desde que comecei esta aventura, habituei-me a ouvir falar em crise, a geral e a da comunicação social, especificamente. Só não percebo como é que há cada vez mais agências de comunicação se, teoricamente, a informação não vende. Ou será que a Internet veio baralhar todas as contas? Pois, é capaz de ser por aí. Que lugar então para uma imprensa com dificuldades de adaptação à tecnologia, para uma rádio cada vez mais escrava do motor automóvel e derrotada pelo MP3 e para uma televisão tão desinteressante? Será que vamos acabar transformados em ficheiros .doc ou .jpg?
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O que o levou a escolher ser jornalista?
Um convite. Comecei por brincadeira na rádio e, posteriormente, fui convidado para uma revista. Na altura, não poderia ser considerado jornalista porque tudo era feito na base do amadorismo. Creio que só depois da passagem pelo Cenjor, que coincidiu com a minha estadia no Clix, deixei de ser um aprendiz. Depois, fui para o Diário de Notícias e assim fui confrontado com profissionalismo.
Quais os aspectos que destaca de positivos e de negativos na profissão em Portugal e no Mundo?
A profissão em si é estimulante. Não sei se será o quarto poder como lhe chamam mas, pelo menos, tem a capacidade de mexer com a opinião pública, e esse é um valor incalculável, em Portugal e no Mundo. É, porventura, o mais importante. Curiosamente, a sua importância é proporcionalmente inversa (ou pelo menos anda perto disso) com a sua remuneração, o que à partida é capaz de afastar potenciais interessados em seguir esta carreira. Por ser uma actividade que pode interferir com o poder vigente, sofre de inúmeras pressões externas, problema a que acresce o facto de a grande maioria dos meios de comunicação ter capital dos maiores grupos económicos.
Como vê o futuro do jornalismo?
Nem melhor, nem pior mas seguramente diferente. Creio que estamos a viver um processo de reordenamento em que os meios de comunicação terão que se saber situar sobretudo face à velocidade com que a informação circula pela Internet (sites, redes sociais, blogues). Por outro lado, é urgente um apelo à humanização da profissão em favor de uma semi-escravatura que cada vez mais faz do jornalista um “carneiro” e não alguém com sentidos apurados.
Que aspectos considera fundamentais no ensino do jornalismo em Portugal?
Sobretudo, a experiência no terreno. Pelo que conheço do ensino nas faculdades, parece-me demasiado teórico e nem sempre vocacionado para aproximar o aluno da profissão. Há disciplinas inconsequentes que, não só, não têm qualquer utilidade para o jornalismo como desmotivam todos os que querem seguir este caminho. É tempo perdido que podia ser aproveitado de outra forma.
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