DEBATE
SPINNING

Filipe Luís na edição de hoje da Visão (nº778) fala d’”Os bastidores da remodelação” a respeito das alterações de José Sócrates à sua equipa governativa. É neste artigo que refere uma actividade de assessoria bem desenvolvida e aplicada pela equipa de assessores do Primeiro-Ministro. O
Spinning (não confundir com ciclismo
indor) trata-se do controlo da agenda politica mediática colocando temas fortes para dissimular outros temas mais incómodos.
Sócrates esperou pelo dia da abertura do ano judicial (aproveitando para desviar as atenções de um discurso eventualmente crítico do Presidente Cavaco) e agiu no preciso momento em que o escândalo da passagem, por Portugal, de 94 voos da CIA e de 728 entre um total de 744 prisioneiros de Guantánamo era revelado pela ONG britânica Reprieve. Um trabalho de spinning (controlo da agenda política mediática), desenvolvido pelo núcleo duro do chefe do Governo.
FONTE: Visão (nº778)
Isto levanta algumas questões quanto à actuação dos jornalistas face a esta manobra de manipulação. Será que os jornalistas não percebem esta acção? Será que o tema “mata” por completo todos os outros? Ou simplesmente a atenção do público de foca num determinado assunto em detrimento de outros?
Incêndios, Maddie, Europeu de futebol, morte de João Paulo II e nomeação de Ratzinger, Entre-os-Rios, Casa Pia…
Serão necessários mais exemplos de temas que “matam” outros? O sensacionalismo dos media tem destas coisas. Exploram um determinado assunto até à exaustão, ao ridículo, por vezes, tornando todos os outros acontecimentos insignificantes.
Não admira que a equipa de Sócrates o tenha feito para proveito próprio, se também os media o fazem para ganharem audiências…
Exemplo paradigmático do que se vê hoje com grande frequência nos demais domínios da sociedade, especialmente na vida política.
Há um assunto que compromete a imagem de um político e lá aparecem os assessores de imprensa para evitar o descalabro… Sem dúvida que este foi mais um inteligente e oportuno trabalho de gestão de crise. Aliás, nos dias que correm, os políticos já não “sobrevivem” sem o apoio das consultoras (e não agências) de comunicação, tal como as próprias fazem questão de ressalvar.